Caminhos que se encontram
A praia estava vazia demais para aquela hora do dia. Não deserta, apenas esquecida. O céu mantinha um cinza uniforme, sem ameaça de chuva, sem promessa de abertura. O vento vinha do mar em rajadas constantes, empurrando a areia rente ao chão, apagando pegadas antes que ganhassem forma. Marina caminhava com as mãos nos bolsos do casaco, os passos firmes, como quem anda para organizar pensamentos. Não olhava o mar diretamente; preferia mantê-lo à margem do campo de visão, como se encará-lo exigisse mais do que estava disposta a oferecer. Foi então que a percebeu. Alice estava parada perto da linha d’água, descalça, os sapatos abandonados na areia mais seca. A barra da calça escura, já umedecida, denunciava que não se importava com a proximidade das ondas. Não parecia observar o mar, parecia escutá-lo. O corpo permanecia imóvel, mas relaxado, como se aquele lugar não fosse visita, mas extensão. O cabelo, preso de forma displicente, deixava fios soltos que o vento insistia em puxar para fr...